EU, OTÁRIA

Mulheres inteligentes, escolhas imbecis

domingo, julho 02, 2006

OTÁRIAS, TODAS NÓS

A organizadora do site, num momento de descontração


Você, aí. Desculpe a pergunta: você por acaso é mulher?
Bom... da última vez que olhei...
Tem medo de bicho-papão?
O quê??!!
Eu perguntei: tem medo de bicho-papão?
Passei da idade, né?
Não se ofenda, foi só uma pergunta. Mas agora que já passou da idade do bicho-papão - do que você tem medo, hein?
Bom... tenho medo de perder o emprego, apesar de me esforçar tanto. De criar ruga, depois de gastar tanta grana com cosmético. De engordar, mesmo fazendo dieta. De ficar sozinha, depois de anos bancando a gueixa pro meu marido, namorado, ou seja lá o que for. Dos meus filhos se meterem em encrenca, apesar de todo esforço que fiz pra educar esses moleques. De...
Tem medo de chifre?
Chifre? Demais, menina. Demais. Perco até o
sono.

Em resumo, você tem medo de bancar a otária?
Exatamente, você tocou no ponto psicológico!! Tenho medo de ser otária, babaca, tonta, idiota, retardada. É, meus medos se resumem a isso. Meu terapeuta até me disse que...
Um momento. Estamos sem tempo aqui. Vou resumir a proposta: você que escreve, que é uma mulher inteligente etc - você gostaria de participar de um blog?
Mais um?
Esse é diferente.
Diferente como?
Pra começo de conversa, tem data marcada pra começar e acabar.
Já é um alívio, assim não fico escrava dessa bosta.
Olha a linguagem, pô.
Desculpaí.
O nome do blog é: “Eu, otária”.
Interessante.
Não é um diário, mas sim um relato de experiências pessoais. Será feito por escritoras. Mas elas vão botar a cara lá, com retrato e tudo. Vão escrever um texto pessoal. Tem que ser baseado nas próprias experiências, entende?
Nas minhas próprias experiências de...
Otária.
Ou seja, eu boto minha cara, meu retrato ali na Internet e assino embaixo: “Fulana de Tal, otária” ...
Você pegou o espírito da coisa, querida.
Mas o texto tem que ser estritamente pessoal?
Pode enfeitar um pouco, dar uma romanceadinha, mas seu compromisso básico é partir da experiência própria. Se expor um pouco. Dar a cara pra bater. Daí um blog, e não um site literário todo bonitinho. Uma por semana.
Homem não entra?
Não. Nada contra, mas eles não entram.
Tem post?
Claro que sim. E o post convida os leitores a exporem suas experiências enquanto otários, também. Se pintar alguma interessante, a gente publica.
Mesmo se for de homem?
Nesses casos a gente abre uma exceção.
É... a idéia tem um certo charme.
Você topa?
Vou pensar.
Qualquer coisa, me manda um e-mail: doris@completo.com.br

2 Comments:

Anonymous berthe_bovary said...

Querida, contar "umas das minhas" e assinar meu nome? E para que eu crio os personagens?
Não sei se seria otária o suficiente.
Ontem, deliciei-me com o monte de tolices que a Clarice Lispector escreveu no final da década de 50 para o Correio da Manhã e o Diário da Noite, ambos no Rio de Janeiro. Serão publicadas em livro, mas o caderno Prosa e Verso já deu uma adiantada: "A mulher que deseja um método simples de conservar a juventude deve incluir cuidados com o espírito" ou " O vermelho é uma cor gritante, que chama a atenção, e sua beleza depois dessa idade, deve ser discreta..." Escreveu um monte mas assinou com pseudonimo. Mulher é fixada em pseudônimo e eu acho que isso é que dá graça na blogosfera (ou blogoseira, conforme um amigo meu). É clima de baile de máscara.

julho 02, 2006 4:37 da tarde  
Blogger MilaF said...

Dóris,

É uma proposta legal, sem dúvida, mas não sei se o tipo de coisa que gosto de escrever se encaixa nela.

Otária? Já fui um sem-número de vezes. E de acordo com a definição de dicionário que você reproduziu, vou continuar a ser - até por uma questão de amor-próprio conservar a minha ingenuidade e minha falta de desconfiômetro... rs.

Mas escrever sobre a minha vida? Assim, como se ela tivesse graça?

Eheh. Pra mim, é claro que tem toda a graça do mundo, com o namorado maravilhoso, os amigos divertidos, a família impagável e as inúmeras paixões artísticas.

Mas que graça tem isso pros outros?

Minhas páginas acabariam virando uma interminável auto-análise, coisa que procuro evitar, já que analisar minha própria chatice é uma experiência pouco agradável pra mim. Imagina pros outros.

Assim, desafio as mulheres cujas vidas são bem mais interessantes ao olho alheio do que as minhas a botar a cara - e o nome - pra bater por aqui. Porque eu, meninas, só sei falar de técnicas de pintura no Photoshop e de como as mulheres são... bem... otárias? É. Acho que é isso.

Boa sorte, querida e queridas.

julho 02, 2006 6:19 da tarde  

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